Você já passou quinze minutos escolhendo qual foto postar nas redes sociais? Já refez um e-mail três vezes porque queria soar mais inteligente? Já deixou de fazer uma pergunta importante com medo de parecer ignorante?

Bem-vindo ao clube. A vaidade não é privilégio dos narcisistas de plantão — ela mora discretamente em cada um de nós, sabotando justamente aquilo que diz proteger: nossa dignidade.

O vício que você não percebe ter

A vaidade cai mal. Todos sabemos disso. Mas poucos percebem que ela não vive apenas nos convencidos de sempre. Ela se disfarça. Aparece na insegurança paralisante do tímido tanto quanto na arrogância do presunçoso. Está presente quando você infla seu currículo e quando minimiza suas conquistas por falsa modéstia.

Pedro Willemsens, em Entre o brilho e a vida, vai direto ao ponto: a vaidade é "uma busca desordenada da própria glória"¹. E o que a torna desordenada? Simples: não reportar a Deus aquilo que recebemos Dele.

São Paulo já alertava os coríntios: "O que tens que não tenhas recebido? E, se o recebeste, então por que te glorias como se não o tivesses recebido?" (1Cor 4,7). Seus talentos, sua inteligência, até sua capacidade de esforço — tudo isso você recebeu. A vaidade é querer roubar o crédito. É apropriação indevida.

Por que isso deveria importar para você

Porque a vaidade esvazia a vida.

Não é exagero. As Escrituras usam termos como hebel (vapor, vazio) e kenodoxos (glória vazia) para descrever esse vício². A pessoa vaidosa vive numa bolha — não de autoestima, mas de ansiedade crônica.

Pense bem: quando você está obcecado com a própria imagem, metade da sua atenção está sempre voltada para dentro. É como jogar tênis olhando para o próprio braço ao invés da bola. Willemsens usa uma analogia cirúrgica: "A vaidade assemelha-se à microfonia — quando o som amplificado pelos alto-falantes é captado mais uma vez pelo microfone, gerando uma perturbação que pode prejudicar enormemente a comunicação"³.

O resultado? Você vive menos. Age pior. Ama com dificuldade.

A vaidade gera três efeitos devastadores:

 

1. Ansiedade constante

Viver pendente da opinião alheia é exaustivo. O vaidoso está sempre em modo "emissão" — controlando, ajustando, medindo o efeito que causa. Nunca descansa. Nunca simplesmente está.

2. Autossabotagem sistemática

Quer tirar uma boa foto de alguém obcecado com a própria aparência? Boa sorte. A autoconsciência excessiva paralisa. Um tenista experiente resumiu bem: jogar em alto nível é "jogar sem pensar" — concentrado na bola, não em si mesmo⁴. A vida funciona assim também.

3. Sepulcro da caridade

Você não consegue amar de verdade quando está preocupado demais consigo mesmo. A timidez, que parece apenas fragilidade, carrega uma forte dose de egoísmo: o tímido olha demais para si e de menos para os outros.

O caminho de saída (que ninguém quer ouvir)

Esqueça fórmulas mágicas. A cura da vaidade exige guerra — contra você mesmo.

Pare de se olhar tanto

Mortifique a imaginação que fica girando em torno do próprio umbigo. Santo Inácio, na juventude vaidosa de soldado, passou meses sem pentear o cabelo nem cortar as unhas para "curar-se" desse vício⁵. Você não precisa chegar a esse ponto (embora possa ser necessário). Mas precisa, sim, de violência espiritual.

Exemplo prático: deixe de conferir obsessivamente as curtidas da sua última postagem. Use o espelho apenas para o necessário. Não altere seu comportamento só porque alguém está olhando.

Abrace as humilhações

Não, não é masoquismo. É realismo. "Não és humilde quando te humilhas, mas quando te humilham e o aceitas por Cristo", escreveu São Josemaria⁶. Aquele comentário que feriu seu orgulho? Cale-se. Aquela acusação injusta? Deixe passar. A maioria das nossas "batalhas pela honra" são apenas chiliques do ego ferido.

E aprenda a rir de si mesmo. A pessoa cheia de si é hipersensível; a humilde se diverte com os próprios tropeços.

Situe-se diante de Deus

Aqui está o ponto central: você só vencerá a vaidade quando souber diante de quem vive. "Eu sou o que sou diante de Deus", dizia São Francisco de Assis. O juízo dos homens é volúvel e injusto — ora nos exalta sem motivo, ora nos diminui sem razão. O único juízo que importa é o de Deus. E Ele, que nos conhece por dentro, nos ama sem condições.

Reze. Não reze sobre você — reze a Deus. Saia de si. "A minha alma engrandece o Senhor", cantou Nossa Senhora. Ela não negou sua grandeza — reconheceu sua origem: "O Poderoso fez em mim coisas grandiosas" (Lc 1,49).

Sirva alguém hoje

A lógica da vaidade é a comparação e a competição. A lógica cristã é o serviço. Quanto mais você se ocupa em ajudar os outros, menos tempo sobra para se contemplar no espelho.

São Paulo foi direto: "Nada façais por ambição ou vanglória, mas, com humildade, cada um considere os outros como superiores a si e não cuide somente do que é seu, mas também do que é dos outros" (Fl 2,3-4).

Quer um teste? Responda: suas qualidades têm mudado concretamente a vida de alguém? Se você é tão inteligente, já ensinou algo valioso a quem não sabe? Se é tão santo, quantas pessoas trouxe para Cristo? A humildade não nega nossos dons — apenas os reporta ao uso correto: amar.

A verdade que liberta

Você não é pequeno. Nem grande demais.

Você é uma criatura feita à imagem de Deus, destinada a "brilhar como o sol" no Reino do Pai (Mt 13,43). Mas ainda está no caminho. Suas conquistas são reais, mas foram possibilitadas por dons recebidos. Sua missão é imensa, mas você é apenas um canal — Deus é quem opera.

A humildade não é fingir que você não vale nada. É saber exatamente o que você vale: filho de Deus, criado por amor, chamado ao amor, e totalmente dependente da graça para chegar lá.

A vaidade promete brilho, mas entrega vazio. Promete reconhecimento, mas produz isolamento. Promete grandeza, mas deixa você preso numa versão empobrecida de si mesmo.

Se este artigo o interpelou — e provavelmente sim, porque nenhum de nós escapa ileso desse vício —, não deixe a reflexão morrer aqui. No livro Entre o brilho e a vida, Pedro Willemsens destrincha as armadilhas sutis da vaidade e os caminhos concretos para a liberdade interior. Trata-se de um bisturi afiado e misericordioso ao mesmo tempo.

Vale a leitura. Vale a meditação. Porque enquanto você estiver olhando demais para si mesmo, a vida verdadeira — aquela que pulsa no amor a Deus e ao próximo — continua acontecendo do lado de fora do espelho.

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Notas:

¹ Pedro Willemsens, Entre o brilho e a vida: reflexões sobre a vaidade (São Paulo: Cultor de Livros, 2021), p. 13.

² Ibid., p. 12.

³ Ibid., p. 29.

⁴ W. Timothy Gallwey, O jogo interior do tênis, cit. in Willemsens, p. 29.

⁵ Ricardo García-Villoslada, Santo Inácio de Loyola — nova biografia, cit. in Willemsens, p. 39.

⁶ São Josemaria Escrivá, Caminho, nº 594, cit. in Willemsens, p. 40.